segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O mundo passa por aqui

Os ruídos matutinos despertam o estivador com sua camiseta azul, a qual deixa à mostra os bíceps desenvolvidos e o suor escorrendo por suas reentrâncias corporais; gotas salgadas também brotam por toda a sua face sem ocultar o orgulho de trabalhar em um dos maiores portos brasileiros.
A rotina fluvial à beira do cais desperta até o incondicional dorminhoco. O trânsito fluvial flui vagarosamente. Os navios chegam, atracam e ali permanecem, descansam seus cascos por indefinidos dias, aliviam suas cargas, como também recarregam seus porões vazios. Nessa via não há sinaleiras e nem guardas que acenam com os braços para lá e para cá, porém, o controle é feito via rádio - além do minúsculo barco rebocador, o qual conduz o navio mercante para acostar.
O movimento contínuo de guindastes é ritmado, levando vagarosamente aqueles retângulos metálicos, os quais, por vezes, empilham-se preguiçosos ou são agarrados às pressas pelas empilhadeiras do navio para o solo ou para os caminhões que carregam os contêineres. Ali, as mercadorias, pode-se imaginar são das mais variadas e vão das mais simples às mais complexas, como lâminas de madeira ou sofisticados aparelhos eletrônicos, todos com destinos múltiplos - do bangalô ao escritório de uma grande empresa. Tanto o peso das mercadorias quanto os valores monetários contribuem para a vida econômica dos que vivem aos arredores desse espaço marítimo.
Nessas manhãs costumeiras, tanto chuvosas quanto ensolaradas, com todos seus matizes, pode-se sentir o cheiro do combustível queimado que se mistura ao leve aroma de peixe.