Eu não agüentava mais. Faltavam poucos minutos, entretanto os segundos transformavam-se em horas diante da minha agonia. Tinha acabado de chegar ao local, aliás um local surpreendentemente muito bem freqüentado.
Meus amigos tinham me ligado há pouco para me desejar boa sorte e me parabenizar pela feliz escolha. Sempre deixei bem claro minha opinião, então minha decisão não pode ser considerada uma surpresa, porém na função de amiga fiquei muito feliz em receber o telefonema. Acho que faria o mesmo se eles estivessem no meu lugar, embora uma escolha dessa seja algo pessoal.
Já tinham se passado quarenta minutos e minha paciência já estava a ponto de acabar; queria me livrar logo daquilo. A pessoa que estava na entrada do estabelecimento se dirigiu em minha direção naquele momento e falou que o indivíduo responsável chegaria apenas depois de uma hora. Informei-a que iria fazer um lanche e dentro de cinqüenta minutos, estaria de volta.
Saí e fui até uma lanchonete a duas quadras dali. Já eram nove e vinte da noite e a rua estava vazia assim como a lanchonete. Cheguei lá encharcada pois chovia muito e eu não tinha levado o guarda-chuva, entretanto, minha fome era maior que o desconforto de pegar chuva em dia frio. Contei meu dinheiro e vi que poderia comprar quase nada. Pedi somente um pastel e fiquei sentada esperando me servirem. Me senti triste em não ter mais nada; em não conseguir suprir as próprias necessidades. Entretanto já tinha muito o que refletir, e ficar me lamentando por não ter dinheiro para fazer uma refeição, não iria mudar minha situação, pelo contrário, só iria me deixar deprimida. E naquela noite eu estava muito feliz e ansiosa pois meu futuro estava em jogo, eu sabia que iria dar tudo certo e que meu cotidiano continuaria sendo promissor por mais tempo.
Terminara de comer meu pequeno pastel, que por sinal não conseguiu “tirar” minha fome, e o celular tocou. Era minha mãe perguntando se já estava tudo bem comigo – como sempre preocupada. Disse que estava voltando ao local marcado em meia hora, pois o responsável ainda não tinha chego. Sua voz estava nervosa e pedia para que eu desse notícias logo que estivesse pronta. Falei que ligaria e que não ficasse preocupada pois estava aliviada; tinha chego o dia. Me despedi e segui andando até o local combinado.
Assim que cheguei, perguntei se o responsável já estava lá, e fui informada que poderia me dirigir até a primeira sala depois do comprido corredor. A casa onde estava era muito bonita por fora e ainda mais bela no seu interior. O corredor que levava a tão esperada sala, era bem decorado e perfumado. No fundo uma música ambiente fazia com que a pessoa ficasse totalmente relaxada, a vontade.
Ao chegar a porta informada, dei duas batidinhas na mesma e escutei alguém falar lá de dentro:
- Entre moça!
Era uma voz de um senhor, com uma certa entonação imperativa. Abri, olhei e me deparei com um homem calvo de uns cinqüenta e cinco anos, com uma ótima aparência, simpático, sorridente. Ele me olhou fixamente e disse.
- Sente-se senhorita, fique a vontade.
Eu me sentia muito realizada e segura também, faltavam poucos minutos. Perguntei a ele qual era seu nome, e ele me respondeu que se chamava Dr. Wolf, e que eu ficasse tranqüila até porque ele já trabalhava há mais de trinta anos como médico. Me perguntou se seria o meu primeiro aborto, e respondi entusiasmada que sim. Me falou que já tinha realizado mais de quatorze mil abortos e que estava em boas mãos. Pediu então que me dirigisse a sala ao lado, onde seria realizado o procedimento.
Nunca estive tão feliz em um consultório médico.
Meus amigos tinham me ligado há pouco para me desejar boa sorte e me parabenizar pela feliz escolha. Sempre deixei bem claro minha opinião, então minha decisão não pode ser considerada uma surpresa, porém na função de amiga fiquei muito feliz em receber o telefonema. Acho que faria o mesmo se eles estivessem no meu lugar, embora uma escolha dessa seja algo pessoal.
Já tinham se passado quarenta minutos e minha paciência já estava a ponto de acabar; queria me livrar logo daquilo. A pessoa que estava na entrada do estabelecimento se dirigiu em minha direção naquele momento e falou que o indivíduo responsável chegaria apenas depois de uma hora. Informei-a que iria fazer um lanche e dentro de cinqüenta minutos, estaria de volta.
Saí e fui até uma lanchonete a duas quadras dali. Já eram nove e vinte da noite e a rua estava vazia assim como a lanchonete. Cheguei lá encharcada pois chovia muito e eu não tinha levado o guarda-chuva, entretanto, minha fome era maior que o desconforto de pegar chuva em dia frio. Contei meu dinheiro e vi que poderia comprar quase nada. Pedi somente um pastel e fiquei sentada esperando me servirem. Me senti triste em não ter mais nada; em não conseguir suprir as próprias necessidades. Entretanto já tinha muito o que refletir, e ficar me lamentando por não ter dinheiro para fazer uma refeição, não iria mudar minha situação, pelo contrário, só iria me deixar deprimida. E naquela noite eu estava muito feliz e ansiosa pois meu futuro estava em jogo, eu sabia que iria dar tudo certo e que meu cotidiano continuaria sendo promissor por mais tempo.
Terminara de comer meu pequeno pastel, que por sinal não conseguiu “tirar” minha fome, e o celular tocou. Era minha mãe perguntando se já estava tudo bem comigo – como sempre preocupada. Disse que estava voltando ao local marcado em meia hora, pois o responsável ainda não tinha chego. Sua voz estava nervosa e pedia para que eu desse notícias logo que estivesse pronta. Falei que ligaria e que não ficasse preocupada pois estava aliviada; tinha chego o dia. Me despedi e segui andando até o local combinado.
Assim que cheguei, perguntei se o responsável já estava lá, e fui informada que poderia me dirigir até a primeira sala depois do comprido corredor. A casa onde estava era muito bonita por fora e ainda mais bela no seu interior. O corredor que levava a tão esperada sala, era bem decorado e perfumado. No fundo uma música ambiente fazia com que a pessoa ficasse totalmente relaxada, a vontade.
Ao chegar a porta informada, dei duas batidinhas na mesma e escutei alguém falar lá de dentro:
- Entre moça!
Era uma voz de um senhor, com uma certa entonação imperativa. Abri, olhei e me deparei com um homem calvo de uns cinqüenta e cinco anos, com uma ótima aparência, simpático, sorridente. Ele me olhou fixamente e disse.
- Sente-se senhorita, fique a vontade.
Eu me sentia muito realizada e segura também, faltavam poucos minutos. Perguntei a ele qual era seu nome, e ele me respondeu que se chamava Dr. Wolf, e que eu ficasse tranqüila até porque ele já trabalhava há mais de trinta anos como médico. Me perguntou se seria o meu primeiro aborto, e respondi entusiasmada que sim. Me falou que já tinha realizado mais de quatorze mil abortos e que estava em boas mãos. Pediu então que me dirigisse a sala ao lado, onde seria realizado o procedimento.
Nunca estive tão feliz em um consultório médico.